Vou começar a análise desse vídeo falando sobre o erhu, que é o instrumento tocado pelo "vestido amarelo". O erhu é conhecido como o violino chinês. É um instrumento composto pela caixa acústica, um braço de madeira densa e duas cordas. A caixa é coberta com pele de cobra de um dos lados e o arco é feito de bambu e crina de cavalo. Não pretendo entrar em maiores detalhes, pois este é um instrumento que merece um post próprio, mas essa breve explanação é importante porque poucos conhecem os (mágicos) instrumentos musicais orientais. De suavidade única, o erhu já teve seus altos e baixos na história do oriente, mas na "banda de cá" só é usado em festivais sobre a cultura oriental. De qualquer forma, não é só a beleza do erhu que faz desse vídeo um banquete aos amantes da arte.
O cenário tem o dedo sábio de quem não apenas vê, mas contempla.
A artista que toca o erhu - inclusive acompanhada por outro belo instrumento - usa um vestido amarelo bem vivo, cor muito comum e apreciada pelos chineses, fazendo parte da bandeira da China, entre outras coisas. Ao fundo, o longo quadro lembra também a cultura oriental, pela sua simplicidade nos traços e no uso das cores. E ainda que haja flores vermelhas, o uso concomitante do vermelho, branco e preto, produzem uma atmosfera naturalmente neutra. Mas neutra no sentido de atrair a atenção. É embelezar o cenário sem desgaste do observador. O vestido amarelo se mantém lá, imponente. Mais do que isso, os cabelos negros da artista fazem o contraste necessário com a roupa.
A delicadeza nos outros detalhes do cenário compõe a completude da melodia.
Uma lição de filosofia chinesa, um vídeo, uma música, uma pele de cobra. A valorização de princípios e virtudes nos detalhes que permeiam um artista faz dele um artista maior.

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